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Filmes com a temática central "guerra" a meu ver, devem ter um ou mais destes elementos que enumerarei, mas com intensidade e capacidade de capturar a atenção do expectador de maneira convincente: embates, apelo emocional, atos de bravura, atenção aos detalhes nos efeitos especiais e montagem que corresponda à dinâmica de um combate que se propõe de larga escala.
Vamos tomar algumas produções como exemplo para demonstrar o quanto importante é apresentá-los, de maneira a tornar convincente a dramaticidade do fato em evidência no roteiro.
1. Pearl Harbor: bombardeio ao U.S.S. Arizona:
2. O Resgate do Soldado Ryan: combates na praia Omaha, um dos cenários de desembarque das tropas aliadas.
3. Nascido Para Matar ("Full Metal Jacket"): cena de abertura onde os recrutas têm seus cabelos "preparados para o front de guerra", neste caso, a Guerra do Vietnam.
O que há em comum nestes três excertos? A clareza com que passam alguma mensagem, a boa referência que transmitem ao cinéfilo de que existe uma necessidade de refletir sobre algum aspecto da guerra, mesmo que, na relação construída pelo íntimo de cada um, este ponto de vista não esteja em correspondência exata com aquilo que a cena reflete.
De certa maneira, é como se fôssemos partícipes, como se estivéssemos no front, sentindo o que os praças sentem, suas agruras, seu desespero, sua dor, seu medo.
Nisso reside, em minha opinião, o ponto falho central de "Guerra Civil": a falta de continuidade de um roteiro envolvente naquilo que esperamos como característica de filmes de ação/guerra. Combates esparsos, com lapso de tempo muito grande entre si, tomadas que alternam entre uma suposta seriedade e tensão de um front, mas que renderam (no caso da sessão que assisti), mais risos do que impacto, além de um desfecho extremamente decepcionante, sem sentido e com um "timing" inadequado. Obviamente que aqui não posso revelá-lo, mas o afã de fazer isso com o objetivo de alertar quanto à qualidade do filme acabou sendo muito grande. Obviamente também não podemos nos furtar em dizer que há cenas chocantes e marcantes, mas me pareceram relegadas a um segundo plano em termos de relevância de tempo.
Mas é evidente que isso oculta os méritos e se analisarmos o filme por outro prisma, não tão centrado na palavra "guerra" em si, o balanço é "superavitário", vamos assim dizer.
Ok, muitos dirão que o fato da história dizer respeito a uma guerra que não deixa claro qual o presidente americano envolvido e não deixa tão explícito os lados antagônicos, faz a interpretação ficar confusa. Mas aqui procura-se fazer com que a devida relevância seja dada à atuação de Wagner Moura (Joel) e Kirsten Dunst pois eles conseguem demonstrar com competência o papel do jornalista de guerra, sua coragem, determinação e principalmente a sua neutralidade quanto a ser mais afeito a um lado ou outro no combate.
Nisso Dunst se destaca porque ela, já com a feição um pouco desgastada pelo passar do tempo, acabou sendo muito bem escalada no papel de protagonista, junto com Moura, tem a "casca" e o controle emocional suficiente para ver o cenário de guerra como um cenário a retratar. E tenta passar estes conceitos à novata Jessie (vivida pela atriz Cailee Spaeny), componente do staff que mais se afeta psicologicamente com os acontecimentos.
Por fim, voltando à abordagem do desfecho, que citei em parágrafos anteriores, ele acaba sendo uma alegoria bastante latente da idiotice que a palavra guerra imprime e que até merece uma série de frases em sua "homenagem":
Repare que quem discute os destinos dos conflitos, decide a destinação de tropas, verbas e armamentos, nunca está no front. Enquanto isso, como Paul Valèry afirma, pessoas que não se conhecem, se massacram em favor destes senhores de guerra e suas respectivas determinações.
Pois o retrato que a guerra retrata (e desculpem a redundância nesta frase), não merece sorrisos em momento algum...
Existem lugares (imaginários ou não), os quais constantemente revisitamos, seja para reativar nossa memória, reencontrar um ente querido não mais presente, ou para reforçar a identificação, a empatia em relação a eles. No caso, a releitura de "O Diário de Anne Frank" foi motivada por um quarto fator: a vontade de reativar a memória a respeito de como uma adolescente da época conseguiu manter-se relativamente resiliente, mesmo sob o contexto de viver, por praticamente 2 anos, em uma privação de liberdade, fugindo de uma condenação por algo puramente segregacionista: a sua origem. Anne, com 15 anos de idade, relata, além do dia-a-dia do chamado "anexo", com sua esperada rotina e impossibilidade de comunicação direta e espontânea com o mundo exterior, diversas reflexões a respeito de convivência, política, rumos da II Guerra Mundial (o contexto se passa nos anos de guerra), expectativas para o fim deste conflito, dificuldades, escassez de alimentos, conflitos, enfim....
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