Resenha Cinematográfica - "Dinheiro Suspeito" (2026)

Primeiramente gostaria de iniciar com um preâmbulo: a atividade de ver um filme, tendo como finalidade não apenas o entretenimento puro e simples, mas também a atenção a alguns detalhes como suporte para a realização de uma resenha, nos dá também uma excelente oportunidade de agregarmos conhecimento linguístico...

Na escolha da legendagem, optamos pelo áudio e legenda em português do Brasil, mas foi interessante constatar a aplicação, na prática, de termos utilizados em Portugal. Alguns deles eu pude anotar durante as quase 2 horas de apresentação:

- Miúdos = crianças.

- Rapariga = moça, garota. 

E uma que até então, nunca tinha ouvido falar:

- "Não te metas em sarilhos"... na prática quer dizer, afaste-se de problemas...

Felizmente, dentro do contexto da trama, tudo o que se passava em legendagem tornou-se compreensível. 

O filme em análise é "Dinheiro Suspeito", de 2026, capitaneado por Ben Affleck e Matt Damon e versa principalmente sobre os termos "ética" e "moral" dentro de um campo de trabalho muito delicado: o universo policial. 

Métricas devem ser seguidas, preceitos da justiça, corregedoria e departamentos afins, em nome da reputação ilibada e também, certamente, da preservação da imagem da instituição. Justamente este escalonamento de valores é que rege o filme, quando uma equipe de policiais promove uma investigação referente a dinheiro ilícito, proveniente do narcotráfico, inicialmente sem ter um providencial mandato de busca para adentrar uma residência suspeita. Equipe esta liderada por um policial que vive um trauma particular, da perda de um filho (tenente Dumans, vivido por Matt Damon) e essa ruptura parece sugestionar um direcionamento de conduta perante o caso, voltada à falta de ética e com traços de corrupção. 

A tríade "policiais durões", "atmosfera hostil", "mistério" aparenta, em certos momentos, formar um roteiro ligado à previsibilidade em um chamado thriller. Pois como está presente em muitos títulos do gênero, nos faz traçar uma análise (ao menos na percepção que formei) que conduz a uma certa conclusão de desfecho para o espectador. Por outro lado, ironicamente dizendo, a divisão policial a que o filme se refere, chamada Equipe Tática de Narcóticos (ETN), mostra, no comportamento das "personas" desta equipe, alguns traços particulares que sugestionam uma certa suspeição de cada um deles, mas que concentra-se em um quarteto à medida que as cenas deixam uma atmosfera um tanto quanto intrusiva, desorganizada até certo ponto e obscura, migrando ainda para a obscuridade, mas permeada por um pouco mais de ação "tradicional" de filme policial, com perseguições, tiros e outros elementos de conflito puro. 


Assim, sendo, na balança de "prós x contras" da avaliação, acredito que o filme situe-se em um "meio termo", pois pouco mostra em termos de tempo a tensão policial mais intensa, mas aguça o nosso sentido "investigativo" em querer descobrir mais a correlação dos dilemas apresentados de abalroamento psicológico (pois não resume-se apenas à perda traumática do tenente Dumans, mas à perda retratada no início pelo assassinato da capitã da divisão), bem como do dilema da subversão de princípios, seduzida por uma quantia expressiva de dinheiro à mesa.


Vale como um bom entretenimento a quem não busca uma complexidade alta de thrillers clássicos, como por exemplo de "Seven, os Sete Pecados Capitais". Isso para não citar outros, claro... 

Até a próxima postagem, pessoal!

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