Artigo - Sugestão de Curso - "Escrita Criativa - Técnicas e Práticas" - PUC-RS
Todos devem ter percebido, e isso até torna-se engraçado, tendo como base minha atividade aqui, o quanto amo escrever. Aliás, minha vida daria um livro, muitos diriam, mas, por ironia do destino, até o presente momento não escrevi nenhum. Vontade não me falta, mas, apropriando-me de um conteúdo recentemente produzido por mim, fico "sem palavras" para colocar as coisas no papel...
Como também desejo trabalhar com a escrita e a qualidade dos textos, aceitei uma sugestão de curso ligado a esta nobre atribuição. Há poucos dias, finalizei a formação denominada "Escrita Criativa - Técnicas e Práticas", ministrada pela PUC-RS, e como primeiro comentário, quero transcrever algumas palavras ditas por Maupassant, um escritor francês que produziu cerca de 300 contos...
"Nos anos em que vivi aprendendo com Flaubert não escrevi nada, mas foram os mais importantes para a construção da minha carreira."
Posso dizer que, e talvez parafraseando, "nas horas que passei aprendendo com os tutores Luiz Brasil e Silva e Luis Roberto Amabile não escrevi nada, mas adquiri alguns "tijolos" para formar o meu alicerce como escritor."
Precisava de fato de um elemento impulsionador para levar adiante a minha vontade de escrever e o curso realmente mostrou uma densidade e riqueza ímpares, por todos os exemplos e apresentação de conceitos, outrora desconhecidos por mim.
Estar aberto a aprender também é estar aberto a críticas e neste sentido por exemplo, Machado de Assis, apesar de entoar o talento de Eça de Queiroz, descreveu críticas à sua obra "O Primo Basílio", especialmente superficialidades em personagens como Luísa.
Talvez essa efusividade, expressa também em um artigo produzido por ele em 1865, denominado "Ideal do Crítico", no qual ele afirma que o crítico deve descarnar um livro até encontrar-lhe a alma, possa ser o mote de um outro conceito presente no curso, o qual eu nunca havia tomado contato anteriormente: o subtexto.
O texto do "Ideal do Crítico", nos mostra que o trabalho da crítica deve ser imparcial, isento a certas paixões, mas como possui densidade, ao mesmo tempo não deve ser intolerante e desqualificador. E por qual motivo estabeleço a ligação dele com o chamado "subtexto"? É porque a densidade proposta na crítica de Machado de Assis, pela percepção que depreendi do curso, traça um paralelo com o significado básico do subtexto: um pensamento por trás de um texto principal, muitas vezes oculto, mas com um nível de importância muitas vezes até mais relevante do que o texto em si.
O leitor deve procurar conflitos e contradições nas personagens, deve achar significado naquilo que não é explicitamente dito. encontrar o "grito no silêncio", ser um tanto quanto cinestésico. Alcançar a descoberta a partir da não afirmação...
Ou seja, tudo converge para um aprofundamento, um aperfeiçoamento. Isso também é parcialmente defendido por Paul Dawson, autor de "Creative Writing and The New Humanities" conforme suas palavras:
"A Escrita Criativa não é apenas um sistema de ensino e aprendizagem absorvido pela Universidade. Não é apenas um local em que se aprendam técnicas literárias. Não é apenas uma disciplina na grade curricular ou um espaço de formação de escritores."
Outro ponto que é importante considerar no estudo é Tchekhov, médico e escritor russo. Ele auxilia na transição das novelas para o conto e durante o curso, por meio de uma frase, o professor Brasil consegue elencar alguns elementos importantes que reforçam novamente a importância do subtexto.
"O homem vai ao cassino de Monte Carlo. O homem ganha um milhão na roleta. O homem volta para casa e se suicida."
Aqui novamente deixamos sob responsabilidade do leitor depreender o ocorrido. A situação fica "nas entrelinhas", não totalmente (e quase nada podemos assim dizer) elucidada. O que isso tudo quer dizer? Deixar a situação sem a explicação lógica é um dos postulados do chamado "Paradoxo de Tchekhov", pois também quebra uma situação de causa e efeito convencionais, além da antítese dos fatos extremos (felicidade x anticlímax).
Isso nos leva à raiz do que é literário. Nós temos que dar os elementos para o leitor construir esta história subterrânea (subtexto). Construída por nós leitores, a partir dos elementos que o escritor coloca no texto.
Isto posto, nos perguntamos como conseguimos alcançar a escrita criativa? Pelas oficinas! E por meio delas aperfeiçoamos nossa linguagem, elemento que faz com que sejamos únicos...
"A Humanidade aprendeu a usar a linguagem e fez com que a nossa espécie se diferenciasse das outras."
Uma oficina é um laboratório de texto, no qual experimentarei a linguagem. Leitura + estímulo + prática + comentários. Neste sentido vale destacar o nome de John Dewey e o Iowa's Writing Workshop, o primeiro programa de escrita criativa, que surge em 1936. É o primeiro a conceder diplomas formais de pós-graduação (MFA).
Há relação com a educação transformadora: a escrita criativa apareceu para formar seres humanos, não apenas escritores mediante o uso da linguagem.
O conteúdo vai além do que descrevi até agora, e a quem busca escrever portanto, e também tomar contato com um pouco do desenvolvimento da história da escrita criativa, seus autores e postulados relevantes, este curso de extensão, cuja duração formal são 10 horas-aula, acessível pelo link https://salavirtual.pucrs.br/cursos é muito válido. É totalmente sem custo e ao término das aulas (todas online) permite a emissão de um certificado.
Até a próxima postagem, pessoal!
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