Resenha Literária - 365 Ensinamentos da Filosofia Estoica (2024) - Editora Principis

Um dos principais pontos que o Estoicismo converge em relação ao meu jeito de ser é naquele que diz respeito à busca de uma "felicidade controlada". Explico melhor: eu não sou contrário à busca dela, mas acredito que possa ser dosada com serenidade e humildade.


Ocorre que hoje em dia nós constatamos, especialmente pelo massivo uso das redes sociais, uma espécie de "evasão de privacidade". E parece realmente complexo falar disso porque ao mesmo tempo, o uso nocivo destas redes mostra, por meio do lado mais excuso do ser humano, uma segunda faceta, que é a invasão de privacidade, juntamente com o chamado "stalking" (perseguição obsessiva). Ou seja, há desequilíbrio nos dois casos. 

Nos preceitos do livro "365 Ensinamentos da Filosofia Estoica", a abordagem é justamente oposta a isso: pois busca-se o equilíbrio total e irrestrito. E, para tanto, histrionismos, exageros e exacerbações não são bem aceitos. A discrição é regra de ouro, até mesmo porque o homem deve estar em harmonia com a natureza que o circunda. E para preservá-la (temos infelizmente dificuldades em administrar isso), mais duas características são esperadas nos estoicos: o autodomínio e a virtude. 


Existem aspectos porém, que não podem ser totalmente alijados das características inerentes dos seres humanos. A um deles dá-se o nome de "paixão". Para os estóicos, de fato não existe a possibilidade de ignorar totalmente o sentimento, mas é mandatório administrá-lo com sabedoria. Pois em muitos casos, associado a ele, existem emoções negativas as quais, se não dosadas nossas emoções e reações intempestivas, não nos permite análise e escolha sobre como enfrentaremos sabiamente as situações. 

Um bom exemplo disso é a interpretação distorcida e imediata dada nos incidentes e acidentes de trânsito da nossa megalópole. Em muitos casos, usando a regra do "conte até 10", aquilo que seria um acidente à primeira vista, na realidade é um incidente, um caso menor. A partir de uma conversa, uma conciliação, tudo se resolveria, porém temos constatado cotidianamente que a truculência impera. Além de existir o habitual "ruído" na comunicação, existe o sentido de que a voz de um deve prevalecer sobre a do outro. Encara-se o segundo envolvido como "oponente", não como um ser humano. 


Nisso também vêm à tona (não diretamente associada) a característica da efemeridade da vida. Não por conta dos possíveis desígnios desfavoráveis que a situação exemplificada do trânsito apresenta, mas sim no sentido do "copo meio cheio" (positivo): que o efêmero indica aos estoicos a necessidade de aproveitarmos as coisas mais simples da vida (nisso se encaixa a natureza, já citada). Esta otimização do tempo pela qualidade e serenidade nos leva a desenvolvermos uma melhor gestão das atividades, pela redução do estresse. E a redução do estresse melhora nossa resiliência, consequentemente nosso nível de aceitação.  


O livro então encadeia estes e outros conceitos, tendo uma segunda parte dedicada à listagem de afirmativas de Sêneca, Epíteto e do Imperador Romano Marco Aurélio. Frases úteis para reforçar as lições previamente apresentadas. De todas elas, destaquei 3, que se encaixam bem com o que abordamos até então no texto:

"A virtude é a única garantia de uma vida tranquila." (Sêneca)
"O autocontrole é o segredo da paz de espírito." (Sêneca)
"A paz interior é o resultado de uma vida virtuosa." (Epíteto)

São 125 páginas de um livro muito valioso para nossa gestão pessoal e profissional. Vale a pena a leitura e até mesmo o estudo e prática dos conceitos. 


Até a próxima postagem, pessoal!

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